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EDITORIAL

 

Com a luz estival e o vento Levante chega o oitavo número da estrema. É com satisfação que anunciamos a mudança da revista para a plataforma de acesso aberto Open Journals System, permitindo a uniformização com outras publicações académicas, maior facilidade na procura e consulta de artigos e maior celeridade no processo de submissão e no contacto com os vários intervenientes no processo.

Este número conta com onze artigos e duas recensões, que convocam, em conformidade com o espírito da revista, temas e problemas procedentes de diversas áreas das Humanidades. Começamos com o texto de Christina Bezari, que explora as afinidades entre as poéticas de Antonin Artaud e Dino Campana, concentrando-se em motivos como os do sonho e do mito. À poesia é dedicado também o artigo de Bruno Pedrosa, sobre Poemas malditos, gozosos e devotos, de Hilda Hilst, bem como o de Cláudia Garcia, que desenvolve uma comparação entre o motivo da viola na poesia de Gregório de Matos e na de Fernando Pessoa. Mudamos de âmbito com o texto de Sephora Marchesini, que discute a repressão às ideias ligadas à Revolução francesa em Portugal, na primeira década do século XIX. Voltamos para o mundo contemporâneo com o artigo de David Martins, que se foca no álbum fotográfico The Other Side, de Nan Goldin, através do qual problematiza a noção de género e discute a construção de uma memória queer. O artigo seguinte, de Naylane Matos, aponta para a ligação entre ensino da língua e da literatura, com um estudo sobre a experiência do estágio docente. O sétimo artigo, de Paulo Matos, apresenta uma leitura intermedial de O Fado, de José Malhoa, convocando uma sua reinterpretação musical e uma cinematográfica. O artigo seguinte, da autoria de Marine Riguet e Alaa Abi-Haidar, que constitui o primeiro contributo, para a estrema, da área das humanidades digitais, apresenta um programa de reconhecimento de entidades, aplicável aos estudos literários. Voltamos, assim, à literatura: Dinameire Rios faz um estudo comparado das estratégias metaficcionais na obra de Lygia Fagundes Telles e Julio Cortázar, enquanto Ana Rita Soares aborda o interesse dos escritores contemporâneos pela Idade Média, a partir do estudo de o remorso de baltazar serapião, de Valter Hugo Mãe. Uma aproximação entre História e Literatura, motivada pelo papel da imaginação e do sentimento na primeira, é ensaiada também por Daniel Vecchio, no último artigo. Para concluir, apresentamos as recensões de Daniela Hernández, sobre Desde el fracaso: narrativas del caribe insular hispano en el siglo XXI, de Magdalena López, e de Pedro Moura, sobre Adjusted Margin. Xerography, Art, and Activism in the Late Twentieth Century, de Kate Eichhorn.

Para terminar, uma palavra de agradecimento aos autores que contribuíram para a realização deste número e aos avaliadores que connosco colaboraram.

Patrícia Loureço, Directora
Sonia Miceli, Directora Adjunta