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EDITORIAL

 

O sexto número da estrema reitera o compromisso assumido com as Humanidades e, em particular, com os jovens investigadores desta área. Representações distintas acerca do estatuto ambíguo deste campo do conhecimento têm, ao longo dos últimos anos, inflamado discussões e originado debates críticos acerca da sua – há muito anunciada crise – e potencial declínio. Luxo ou não, o estudo da Filosofia, a interrogação crítica da História, assim como a análise das formas estéticas — tendo presente que as últimas constituem não só veículos para a memória mas memória em si mesmas — tem vindo a revelar-se fundamental ­— como, de resto, notou George Steiner no seu ensaio de 1999 “The Humanities – At Twilight?” — para o desenvolvimento da consciência moral e para a construção da responsabilidade social e política.

Este número surge com uma nova equipa editorial, constituída por investigadores empenhados em publicar o trabalho de estudantes como nós. Nos próximos números, o objetivo é o de continuar a alargar o âmbito da revista e alcançar estudantes de diferentes universidades pelo mundo. Adicionalmente, passará a existir um espaço para recensões, assim como a possibilidade de números temáticos, em regime não periódico. Uma palavra de gratidão ainda para com as avaliadores que colaboram com a estrema, pelo papel central que desempenham para que continuemos a levar este projecto a bom porto, procurando a cada número melhorar a qualidade da revista e tendo claro que esta é a forma de melhor servir quer os investigadores que escolhem a estrema para publicar os seus trabalhos, quer aqueles que nos procuram para saber o que de novo está a ser feito nas Humanidades.

Escusado será dizer que a nossa identidade enquanto revista não-temática se mantém, assim como aquilo que entendemos como nossa missão — a vontade de continuar a existir enquanto espaço “(…) for the survival of values and texts in dark times and within the individual”[1], num momento dominado pela incerteza política e por uma crise humanitária sem precedente no espaço europeu.

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The sixth issue of estrema continues to focus on the Humanities and particularly on its commitment to the young scholars in this area. Different perspectives about the ambiguous status of the Humanities have, in the last few years, inflamed discussions and critical debates about the area’s long-expected crisis and potential decline.  Whether they are a luxury or not, the study of philosophical ideas, the critical inquiry of history, as well as the analysis of aesthetic forms — not forgetting that these are not only vehicles for memory but memory in itself — have revealed themselves as fundamental to the development of moral awareness and to the growth of social and political responsibility, as pointed out by George Steiner in his 1999 essay “The Humanities — At Twilight?”.

This issue of estrema was brought to completion with a new editorial board and a team of researchers fully committed to the goal of publishing the work of students like ourselves. Moving forward, we intend to continue broadening the scope of our magazine and to reach researchers from different universities around the world. In forthcoming issues we will add a section for reviews, and occasional thematic numbers can be expected. A word of gratitude is in order for the evaluators who have collaborated with estrema, for their help in improving the quality standards that best serve both the researchers that wish to publish with us, as well as those looking for what new is being done in Humanities.

It goes without saying that our identity as a non-thematic magazine remains, as well as our aim of continuing to be a space “for the survival of values and texts in dark times and within the individual”[2] in a period overshadowed by political uncertainty and an unprecedented European humanitarian crisis.

1 Cf. George Steiner (1999, 21), in PN Review 25(4): 18-24.
2 Cf. George Steiner (1999, 21), in PN Review 25(4): 18-24.