Queer Interventions in Amália Rodrigues and António Variações
Paulo Pires Pepe - University of Nottingham
Resumo:
Neste artigo, oferecerei uma análise de duas canções: O Rapaz da Camisola Verde escrita por Pedro Homem de Mello em 1954 e cantada por Amália Rodrigues em 1965 e a Canção do Engate da autoria de António Variações em 1984. O Rapaz da Camisola Verde composta durante a ditadura de Salazar, apresenta subliminarmente uma história de um rapaz jovem, que se encontra numa esquina escura, escondido do regime ditatorial, à procura de prazer com outros homens. Dez anos depois do fim da ditadura de Salazar, a Canção do Engate apresenta-nos uma relação física entre dois homens, representativa de uma formação de uma identidade queer em Portugal. Oferecendo uma análise comparativa sobre o contexto histórico, o político e o pessoal destas duas músicas, chamarei a atenção para as formas em que se abriram possibilidades, para o surgimento de identidades queer na sociedade portuguesa. Estas eram baseadas igualmente em uma ruptura com um passado opressivo e na recuperação destas próprias identidades.
Palavras-chave: Amália Rodrigues, António Variações, Homosexualidade, Salazar, Música
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Secularização, laicidade, pluralidade religiosa e desaparecimento da religião: diálogo de perspectivas e casos brasileiros atuais
Kelli da Rosa Ribeiro - PUCRS - CNPq
Resumo:
Este artigo pretende discutir a respeito dos conceitos de secularização, laicidade e pluralidade religiosa. Analisaremos a luz desses conceitos, aspectos que envolvem a discussão do desaparecimento/declínio ou não da religião e suas práticas na esfera social. Para tanto, estabelecemos um diálogo entre os principais autores da sociologia da religião, tanto da literatura nacional, quanto da internacional, atentando-se para as posições tomadas a respeito do assunto. Além de discussões teóricas, mostramos dois casos brasileiros, por meio de duas notícias jornalísticas recentes, os quais envolvem tensas discussões a respeito de laicidade e secularização no Brasil, num contexto pluralista, no que tange à religiosidade. Buscamos por meio das reflexões levantadas, salientar que os processos de modernização e religião não se excluem no âmbito social, mas se engendram mutuamente, gerando impactos nos modos de reorganização da religiosidade no espaço social e político.
Palavras-chave: Secularização; Laicidade; Pluralidade religiosa; Modernização
‘Salem’s Lot: How Dracula Permeates Time and Space
Ana Romão - FLUL
Resumo:
Este artigo pretende ser um estudo de caso do romance de Stephen King ‘Salem‘s Lot (1975) (romance nomeado em 2012 para o Bram Stoker Vampire Novel of the Century Award), relacionando-o com Dracula (1897) de Bram Stoker.
Pretende-se analisar a forma com que King reformula o monstro de Stoker de forma a aplicá-lo a uma realidade mais moderna partindo da ideia de King: E se ao invés Jonathan Harker tivesse comprado uma casa para o Conde Drácula no Maine dos anos 70?
O artigo irá considerar o papel da ciência, medicina e tecnologia no desenvolvimento do enredo no romance de King. Irá analisar a forma com que estes avanços impediram a crença no sobrenatural, racionalizando assim o vampiro. Isto será contrastado com a forma com que Stoker utiliza a ciência, medicina e tecnologia de forma a auxiliar os caçadores de vampiros.
O artigo irá também procurar contrastar a crença imediata de uma criança com a incredulidade firme de um adulto, não esquecendo os horrores da Guerra do Vietname. Haverá ainda uma reflexão acerca dos cidadãos: Foram eles a produzir ou atrair o Mal? Se sim, como? O artigo irá conectar esta questão à ideia do mal a permear o tempo, que está tão presente em Dracula.
Palavras-chave: Vampiros; modernidade; ciência; medicina; tecnologia; crença; Mal.
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Ngunga: lições de um jovem flâneur
Luciana Sacramento Moreno Gonçalves - PUCRS
Resumo:
Este artigo realiza uma interpretação do romance de Pepetela: "As aventuras de Ngunga", a partir de sua intenção pedagógica, inserindo-o no tipo de narrativa, conhecida como Bildungsroman. Neste, identificamos como flâneur o personagem central. Para tecer considerações sobre o tom pedagógico que envolve o texto, observamos a compreensão de como se estrutura o romance de formação (Bakhtin, 1992), depois reconhecemos a intenção do autor em fazer da escrita uma prática revolucionária (Lajolo 2001). Por fim, ao compreendermos em Ngunga, características como a do ser errante que se integra ao local como forma de resistência, o indicamos como um jovem flâneur, orientados pelas provocações de Baudelaire (1996) e Benjamin (2009).
Palavras-chave: Bildungsroman, flâneur, literatura
Los estudios anatómicos de John Flaxman
José Luis Crespo Fajardo - The Ruskin School of Drawing and Fine Art University of Oxford
Resumen:
Este artículo estudia la figura del escultor neoclasicista inglés John Flaxman, centrándose especialmente en su producción teórica relativa a la anatomía artística, notoria tanto en los dibujos y manuscritos conservados en diferentes colecciones, como en las recopilaciones de sus notas y grabados realizadas después de su muerte. El artículo examina substancialmente el título Anatomical studies of the bones and muscles for the use of artists, valorando algunos detalles sobre su elaboración y los dibujos originales de Flaxman, en posesión hoy de la Royal Academy of Arts en Londres. Asimismo se destacan aquellas recomendaciones sobre anatomía artística recogidas en el volumen Lectures on sculpture, que reúne una serie de significativas conferencias impartidas por el escultor en la Royal Academy.
Palavras-chave: Arte, escultura, anatomía, manuales, Academia
Leituras para uma ética privada de Ernest Hemingway
Frederico Pedreira - FLUL
Resumo:
Neste ensaio apresento uma ideia de ética enquanto processo que Ernest Hemingway propõe aprofundar nos seus livros, tornando pertinente a noção de inseparabilidade entre vida e obra ao demarcar a sua posição autoral no mundo que o rodeia. Irei assim propor que a escrita é, em Hemingway, inseparável do seu modo de se reconhecer em si mesmo. Parece existir um movimento paralelo entre a forma de o autor considerar a escrita, nomeadamente enquanto momento táctico capaz de reabilitar certos aspectos da realidade, ao presentificá-los através do refinamento desse mesmo meio, e a tecnicidade investida em algumas actividades (a caça, a pesca) que Hemingway estima. O meu argumento assenta na importância do gesto autoral enquanto modo de descrever a espécie particular de verdade que existe no momento da escrita. Ao mesmo tempo, esta verdade resulta em benefício pessoal de Hemingway, que procura "estar em casa" nas descrições que faz, não exactamente como forma de se aproximar do mundo, mas como modo de o transformar para seu prazer táctil e emotivo.
Palavras-chave: Ética, estar em casa, reconhecimento, devaneio, verdade.
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A dimensão ética no trabalho artístico de Damien Hirst
Helga Saraiva Costa - ISCTE-IUL
Resumo:
Damien Hirst é um “tolo” à boa forma Nietzschiana. E da sua “tolice” imoral e amoral ele conseguiu tornar-se o artista vivo mais caro de sempre. A cada passo, transgride as barreiras estipuladas por uma sociedade que constantemente lhe aponta o dedo.
Neste artigo, são destacados dois pontos essenciais nas sucessivas vitórias artísticas de Hirst: a utilização de animais mortos na construção de uma fascinante arte abjecta e o carácter parodístico dos seus plágios. Analisamos como o “tolo” paira acima das regras morais e atinge por conseguinte um enorme impacto no mercado. O abjecto e o horripilante dissolvem-se no sublime e no prazeroso. Os valores humanos pouco significam num contexto em que o objectivo é chamar a atenção de um público vasto para que o artista possa sobreviver num mundo capitalizado.
Palavras-chave: Arte, Ética, Abjecto/Sublime, Plágio/Paródia, Damien Hirst
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A Ausência da Verdade Absoluta e a Inevitável Presença da Subjetividade no Discurso Jornalístico
Patrícia Nystrom Fernandez - PUCRS
Resumo:
Este artigo pretende demonstrar, por meio das teorias enunciativas de Ducrot e Benveniste, que subjetividade e linguagem são indissociáveis. Assim, mesmo a linguagem jornalística, conhecida e reconhecida por pregar o princípio da neutralidade, o dogma da objetividade absoluta, representados, a rigor, pelo relato imparcial dos fatos, não consegue se desvencilhar do caráter subjetivo da linguagem, haja vista que o jornalista, enquanto produtor de discurso, marca-se, inevitavelmente, no produto de sua enunciação. Diante disso, é igualmente importante questionarmos a veracidade das informações veiculadas nos meios de comunicação, tendo em vista que o discurso jornalístico consiste em uma interpretação da realidade, e, como tal, sofre influência dos pontos de vista do seu locutor. A fim de evidenciar tais questões, analisaremos o papel das escolhas linguísticas para a construção do sentido das manchetes jornalísticas, procurando ilustrar que, mesmo ao tratar de um fato comum, os jornais, representados aqui pelos seus redatores, lhe atribuem um valor que é pessoal e, portanto, subjetivo e incapaz de expressar uma verdade absoluta.
Palavras-chave: Subjetividade. Linguagem jornalística. Enunciação.
